Presidente da OMB-RJ fala sobre cenário musical com a Sinfonica

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A relação entre músicos e a OMB (Ordem dos Músicos do Brasil) é longa. Às vezes, polêmica. Muitas vezes, fundamental. E como está essa relação nos dias de hoje? A Sinfonica Records conversou com Mauro Almeida, 68 anos. Presidente da OMB-RJ e um dos mais importantes produtores musicais do país, fala sobre a carreira, música, profissão, o cenário musical atual e a expectativa pós-pandemia mundial do Covid-19.

Como surgiu essa paixão pela música?

Vamos lá, tenho 68 anos e estou nesse negócio com a música desde os 15 anos de idade quando comecei a tocar nos bailes da vida. Foram 20 anos tocando numa das melhores bandas do Rio de Janeiro, o Brazilian Boys, gravamos dois compactos simples e dois LPS. Quando entramos num estúdio para gravar, o ambiente e a magia que ele inspira fez com que eu me apaixonasse perdidamente pela profissão de Produtor. Eu via naquela profissão a oportunidade de participar de todo o processo da descoberta de novos músicos, arranjadores, compositores, cantores e poder manter num nível alto os músicos já estabelecidos. Ao acabarmos com a bela história do Brazilian Boys eu comecei a correr atrás do meu sonho. Era muito difícil entrar num clube muito fechado, com grandes produtores, diferente do mundo de hoje, poucos estúdios, as coisas eram regidas pelas gravadoras, foi difícil apesar de eu já estar vacinado contra as dificuldades para se conseguir chegar aos objetivos que a gente quer, ” Quem não se levanta para acender a luz não pode reclamar da escuridão”.

Assim foi, com muito trabalho, muita dedicação e profissionalismo consegui chegar aonde eu queria. Sou um dos 20 Produtores e Diretores Artísticos mais premiados da história da música do Brasil, ajudei a vender mais de 110 milhões de discos em todos os segmentos de música que se faz nesse País. Produzi, lancei alguns dos maiores sucessos e mantive em evidência àqueles que já estavam estabelecidos.

Como se encontra a OMB hoje? Os músicos tem procurado vocês?

A Ordem continua na sua luta para que os profissionais Músicos possam ter Dignidade Valorização e Respeito e que o Poder Público entenda que música é arte, músico é profissão. Os músicos, como profissão, são os maiores geradores de empregos diretos e indiretos nesse País. A música tem um peso no PIB do Brasil acima de 2%, e sem músico não tem música, o músico dá tudo que é possível e não recebe o retorno social disso

Você é um dos mais conceituados produtores musicais do país. Mudou muito o conceito de produção musical com o fim dos álbuns físicos? Os músicos se sentem “autossuficientes”?

O conceito do Produtor de verdade não vai mudar o que mudou foi a entrada no mercado os pseudos produtores, antes quando os cantores, músicos técnicos de gravação sentiam que o Produtor era uma mentira esse Profissional era alijado, trabalhava nesse negócio quem era competente, quem realmente sabia o que estava dirigindo

Como você avalia o cenário musical nacional hoje?

O cenário musical no Brasil, desde que eu me entendo por gente, tem sempre esses questionamentos. Estamos em 2020, o mundo é uma metamorfose, principalmente na música. Eu sinto saudade de ontem, mas não sou saudosista. Basta se adaptar as mudanças, tudo vai sempre mudar, ou então o mundo não avança. A minha geração foi privilegiada nós vivemos tudo o que aconteceu na música, não só no Brasil no mundo todo. Vimos e ouvimos tudo o que aconteceu na música, aliás em toda e evolução no mundo e a cada movimento musical que aparece existe contestação, alguns desaparecem por não ter consistência e outros ficam para a história. Por exemplo, o cabeludo, que era bicha maconheiro, segundo as pessoas que não gostavam ou não entendiam o que estava surgindo hoje é reverenciado…

Você também é músico. O que tem feito e quais seus planos profissionais?

Como te falei sou músico minha carteira da Ordem é de inscrição 13.381, hoje está no número 26.000, mais a minha vida como músico continua na alma, no cérebro, se eu não fosse músico nunca teria conseguido o sucesso como Produtor, minha vida como músico foi paralisada de forma atuante quando eu troquei o palco para ficar atrás das câmeras

Como você analisa o mercado musical após a pandemia? Haverá mudança muito brusca na relação contratante x contratado?

Quanto ao cenário do pós-pandemia é difícil adivinhar, só o tempo vai mostrar. Claro que vamos ter algumas mudanças, não sei a que patamar. As ‘lives’ vão continuar com esse volume? Acho difícil, faz parte da alma do músico o palco o povo. Quanto a relação contratado, contratante acho que vai mudar para melhor, com essa paralização das casas noturnas, casas de shows, o contratante o grande e pequeno empresário, seja o proprietário de casas noturnas ou de shows, ou o empresário que vende shows, ou os Músicos que estão na mídia e tem músicos contratados vão enxergar, muitos não conseguem ver o óbvio, a importância do músico nesse processo e o povo também vai enxergar esses trabalhadores de uma outra maneira. Estamos lutando para que o Poder Público também entenda isso.

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